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sábado, 21 de janeiro de 2012

POR QUE ME UFANO DE TER SIDO JOVEM EM 68...


GERAÇÃO 1968 E AVALANCHE CULTURAL
                       Leoncio de Queiroz*
 (... )Os anos que pegaram os governos do Juscelino e do Jango, com o curto entreato do Jânio Quadros, foram, seguramente, os de mais fecunda criação artística e cultural no Brasil – uma avalanche de talentos que se estendeu e repercutiu até os primeiros tempos da ditadura. (...) Nessa época surgiu a Bossa Nova e o Cinema Novo.
A música popular constituiu um terreno particularmente fértil, com o surgimento de um grande número de compositores extremamente talentosos, para não dizer geniais, como Chico Buarque, Tom Jobim, João Gilberto, Carlos Lira, Geraldo Vandré, Sérgio Ricardo, Edu Lobo, Gilberto Gil e Caetano Veloso. Na pintura, sobressaíram Portinari e Di Cavalcanti.
Na arquitetura e no urbanismo, fomentados com a construção de Brasília, Oscar Niemeyer e Lúcio Costa.
 Na literatura, Jorge Amado, Guimarães Rosa, João Cabral
de Melo Neto, Érico Veríssimo, Vinícius de Moraes e Clarice Lispector.

Na dramaturgia, além da genialidade de um Nelson Rodrigues, o teatro engajado de Oduvaldo Viana Filho, no Rio, e de Gianfrancesco Guarnieri, em São Paulo.
No cinema destacaram-se Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha, Cacá Diegues, Rui Guerra e outros – havia muitos diretores no Cinema Novo.

A Geografia Humana teve seu expoente em Josué de Castro (A Geografia da Fome), a História, em Nelson Werneck Sodré e a antropologia, em Darcy Ribeiro.
 

 Resta mencionar os grandes educadores Paulo Freire e Anísio Teixeira e o economista que equacionou o problema do subdesenvolvimento brasileiro e criou a SUDENE – Celso Furtado.

Esses homens eram pensadores brasileiros originais e não meros papagaios do que se propalava na matriz norte-americana, como a maioria dos economistas e sociólogos que fizeram carreira sob o tacão da ditadura militar.
(...) Esses artistas e estudiosos eram, em sua grande maioria, comunistas, socialistas ou homens de esquerda. Ser de esquerda, aqui, significa preocupar-se com as condições de vida do povão e com a subordinação econômica do país. Toda essa efervescência cultural foi, burramente, censurada, combatida, perseguida, dispersada e aniquilada pela ditadura instaurada em 1964.
A geração cuja adolescência e juventude coincidiram com esse período, vivenciou um estímulo intelectual, uma colocação de novas ideias e uma sociedade em transformação rápida e positiva como nenhuma outra. Coube a ela questionar tabus arraigados, preconceitos cristalizados e realizar uma revolução nos costumes e na mentalidade então predominantes. Esta foi a geração do feminismo, do amor livre e do antirracismo.

 Nos Estados Unidos, foi a geração da contestação pacifista à guerra do Vietnã, do movimento hippie e do poder negro. Foram os moços e moças dos anos 60 que lutaram pela igualdade de direitos entre homens e mulheres, conquistaram a liberdade sexual e começaram a deitar por terra os preconceitos raciais.
Pode parecer estranho aos jovens de hoje, mas, em passado recente, as moças eram uma espécie de propriedade de seus pais, que tudo faziam para preservar-lhes a virgindade, como se nela se consubstanciasse toda a honra da família. Uma vez perdida essa condição e sendo impossível solucionar tudo com um casamento, a perda era amiúde incorporada à pessoa, que tornava-se uma “perdida” e era, com frequência expulsa de casa pelo pai, precisando muitas vezes recorrer à prostituição para sobreviver.
(...) As que conseguiam resistir e preservar o hímen tornavam-se, depois de casadas, dependentes dos maridos, que, não raramente, as proibiam de trabalhar. As mulheres não podiam viajar, nem ter conta bancária sem o consentimento daqueles. Se abandonassem o lar, perdiam o direito à guarda dos filhos.
O adultério feminino era punido, não com o apedrejamento, mas quase: com a execração pública, o desquite e a perda da convivência com os filhos, quando não com a morte, pois o assassínio da mulher adúltera era aceito como “legítima defesa da honra”.
Havia, nesse tempo, os que tentavam puxar para trás. Rapazes de terno, portando o estandarte do leão rompante, colhiam nas ruas assinaturas “contra o comunismo e o amor livre”. Embora em pequeno número, dispunham de consideráveis recursos. Esse grupo anacrônico utodenominava-se TFP – Tradição, Família e Propriedade – e ainda existe.
Certa vez, topei com alguns desses mancebos, de terninho e cabelo repartido fixado com Gumex, na Av. Rio Branco, perto do Castelo. Eles tinham, sobre uma bancada, um livro grande no qual tentavam colher assinaturas contra o amor livre.
Por coincidência, encontrei-me ali, também, com o Antônio Carlos Poerner, irmão mais novo do Arthur, que, como eu, estudava na Faculdade Nacional de Ciências Econômicas, só que ele fazia  Contabilidade, à noite. O Antônio Carlos era um moço magro e alto, ruivo, muito branco e de ar angelical. Era o estereótipo do estudante de violino, porém, possuía voz forte e presença marcante. Ele chegou-se aos coletores de assinaturas e perguntou de que se tratava. Estes iniciaram uma peroração contra o amor livre, até serem interrompidos pela voz possante do mais jovem dos Poerner:
- Vocês não têm, por acaso, um abaixo-assinado a favor do incesto? Eu sou a favor do incesto e quero assinar uma lista!
Ri muito do espanto e horror dos castos defensores da família e da virgindade.
 
(...) Essa geração 68, urdida no clima de liberdade intelectual do pós-guerra, submetida a uma criativa renovação cultural e com expectativas de progresso social  inspiradas nas realidades cubana e vietnamita sofreu todo o tipo de perseguição, sequestro, prisão, tortura, morte e desaparecimento. Contra ela, a direita militar, liderada por oficiais que tiveram seus neurônios lavados, escovados e engraxados em bases militares dos Estados Unidos, naquele país e no Panamá, deu dois golpes de Estado: um em 1964 e outro com o AI5.


Pertenceram a ela os jovens que, em 1968, se insurgiram na França e na Alemanha e os que, após manifestações, foram massacrados no México, assim como os que protestaram nos Estados Unidos contra a guerra do Vietnã.
A abertura política somente foi possível com a nossa luta e com o martírio de muitos. Embora tenhamos sido derrotados nas armas – nem poderia ter sido outro o desfecho, com todo o aparato internacional armado contra nós –, conquistamos uma vitória moral, que submetemos ao veredicto da História.

Outras gerações levantarão nossas bandeiras. Em nome de minha geração, agradeço penhoradamente:
Ao Marechal Henrique Teixeira Lott, por ter sido um homem honrado, justo e respeitador da legalidade e por, junto com outros militares legalistas, haver impedido o golpe que os militares de direta pretendiam levar a efeito de modo a impedir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek.
A Leonel Brizola e ao General Machado Lopes, por terem frustrado o golpe militar de direita que pretendia impedir a posse do João Goulart.
A Ivan Proença, o capitão que, no golpe de 64, por iniciativa própria, garantiu a retirada dos estudantes que estavam concentrados na Faculdade Nacional de Direito, na Praça da República, e impediu um massacre que estava sendo preparado por grupos paramilitares de organizações anticomunistas. Eu estava entre esses estudantes.

Ao capitão Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, conhecido como Sérgio Macaco, comandante do PARA-SAR, que se recusou a cumprir ordem superior para explodir o gasômetro do Rio de Janeiro. Ele evitou assim que se produzisse uma grande catástrofe que seria imputada aos militantes da luta contra a ditadura.

A Salvador Allende, Olof Palme, Boumedienne, Fidel Castro e aos povos do Chile, da Suécia, da Argélia e de Cuba por terem recebido tão bem, em seus países, os refugiados brasileiros.



*Leoncio de Queiroz
Carioca, nasceu em 1942. Trabalhava, em 1964, no CPC da UNE. No dia do golpe, estava no CACO, com outros estudantes que confiavam no Exército Brasileiro e em que o golpe seria esmagado. Participou do
ME e, em 1968, formou-se em Economia pela UFRJ. Pegou em armas contra a ditadura. Participou da ação de resgate dos prisioneiros políticos da penitenciária Lemos de Brito, em 1969. Mais tarde, exilou-se
no Uruguai, Chile e na Suécia. Economista e engenheiro físico.


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O texto acima  foi retirado do livro  "68 – a geração que queria mudar o mundo”,  lançado em maio de 2011, pelo Ministério da Justiça. São relatos de uma centena de ex-militantes políticos, organizados e sistematizados ao longo dos anos por Eliete Ferrer, do grupo “Os Amigos de 68”. Trata-se de contribuição ímpar para a difusão da memória daqueles que combateram o regime militar por descrever, sob diversos matizes, as percepções e concepções de vida que eles sustentaram, o modo como lutaram contra a ditadura, bem como as interrupções que tiveram em suas vidas e os recomeços que puderam construir. Nesse sentido, a publicação da obra é ato de reparação moral,pois contribui para a conexão da geração de 1968 com a história do país, permitindo que suas lutas e memórias constituam efetivamente parte da identidade nacional brasileira.
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Queridos leitores:
Estaremos divulgando e ilustrando outros textos  deste mesmo livro, aqui no Porta Aberta, para aqueles que como eu viveram esta sofrida época, mas nem por isso menos bela, recordarem com orgulho dos seus verdes anos; e para os jovens  tomarem conhecimento da história escrita por aqueles que a viveram e não pela pena fria de um historiador qualquer. Espero que tenham se emocionado como eu!
                                                Gladis Maia


Agradecimentos:
a todos os autores das imagens que ilustram este texto, os quais não foram nominados, em função de não ter encontrado os créditos nas páginas da web de onde as mesmas foram copiadas. Se algum por ventura ler este post pode reclamar e a correção será imediata. Por enquanto, muito obrigada!

sábado, 10 de setembro de 2011

EU NÃO ME IMPORTO DE SER VELHA PORQUE GOSTO DA PESSOA QUE ME TORNO A CADA DIA QUE VIVO...

 
  
Recebi este texto mais de uma vez por email, não encontrei o(a) autor(a), mas resolvi mesmo assim publicá-lo, depois de pequenas adaptações, porque traz uma lição de vida pela qual todos que passamos dos 50 anos aprendemos. Talvez alguns jovens que o leiam e vejam estas fotos aprendam antes de nós... Gladis Maia


Eu nunca trocaria meus velhos amigos de infância e de adolescência,  sempre criativos e surpreendentes a cada encontro,  minha vida nada pacífica, mas maravilhosa, minha querida família e minhas doces recordações - ou não tão doces assim - por menos cabelos brancos ou por uma barriga tanquinho...

 

 Enquanto fui envelhecendo, passei a ser mais amável para com os outros e menos crítica de mim mesma.  Eu me tornei minha  própria melhor amiga de infância.  Eu não me censuro por comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama ao levantar, ou pela  compra de algo bobo que eu não precisava, como uma escultura de cimento, mas que parece tão avant garde no meu jardim.  Eu tenho direito de ser desarrumada, despenteada,  extravagante... Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou ficar no computador até as quatro 
horas e dormir até o meio-dia?


 Eu posso dançar requebrado ao som daqueles sucessos maravilhosos dos  anos 60 & 70, e se eu, ao mesmo tempo,  desejo chorar por  um 
amor perdido ...  Eu o faço.
 Posso  andar na praia em um short excessivamente esticado, um biquine apertado sobre um corpo decadente, aos olhos de muitos, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros no jet set. Eles, também, vão envelhecer. Assim espero ... que eles tenham todo o tempo do mundo para aprender as lições que às vezes só são compreendidas tarde demais... ou não!  Infelizmente vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento. 

 


Eu sei que eu sou às vezes esquecida....  Mas a vida é assim mesmo e há mais algumas coisas que devem ser esquecidas mesmo. Eu recordo com muito mais calor, cor e cheiro das coisas boas, das mais importantes e significativas...   


Claro, que ao longo dos anos meu coração foi quebrado, partido muitas vezes.  Como não quebrar o coração quando perdemos  um ente querido, quando vemos uma criança sofrer, ou quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro?  Mas os corações partidos aprendem com a dor e tornam-se mais fortes. As dores, os sofrimentos nos dão força, compreensão e compaixão.  Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.




Eu sou tão abençoada por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos - que às vezes pinto, não para renegá-los, mas porque gosto de variar, sempre fui assim, quando jovem pintei-os até de verde escuro... Sou abençoada por ter os risos da juventude  gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto. Eu nunca fiz plástica, não sou contra quem as fez, mas eu tenho orgulho das marcas que o tempo deixou-me. Muitos nunca riram, muitos morreram e muitos outros vão partir antes de seus cabelos virarem prata. 



À  medida que vamos envelhecendo  fica mais fácil de nos tornarmos positivos.  a gente passa a se preocupar menos com o que os outros pensam.  Eu não me questiono mais. Eu ganhei o direito de estar errado.     Assim, para espanto da garotada,  eu gosto de ser velha.  o tempo que deixou marcas em mim, também  me libertou.  Eu gosto da pessoa que me tornei.  Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será.  E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer). Pensem nisso... Namastê!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

QUER RIR UM POUCO, OLHE ESTES MANDAMENTOS DO BLOGUEIRO... (RISOS)



10. Toda blogagem se dará em paz e exercitará a liberdade de expressão inerente a qualquer democracia. A blogagem estará a salvo de perseguição política, religiosa ou doutrinária de qualquer caráter. O blogueiro será livre para dizer o que lhe venha à telha, desde que, obviamente, não cometa com a linguagem crimes de calúnia ou plágio.


9. Todo blogueiro terá o direito de passar um dia sem blogar e não receber mensagens alarmistas, preocupadas ou encheção de saco.

Os blogueiros serão poupados de receber emails com gritaria ou esbravejação em letras maiúsculas e, no caso de recebê-los, serão livres para exercitarem o direito de ignorá-los ou apagá-los.

8. Todas as blogueiras terão direito de blogar em próprio nome, em pseudônimo ou em heterônimo como lhes apraza, de forma exclusiva ou simultânea. Assim como todos os outros direitos nomeados aqui preferencialmente no feminino, este também se aplica, evidentemente, aos homens que possam, saibam ou ousem exercitá-lo.

7. Sendo publicitário, funcionário público, palhaço, vendedor de seguro, jogador de futebol, aeromoça, professor universitário, paquita, lixeiro ou desempregado nas horas vagas, o blogueiro tem direito de não ser importunado, agredido, chantageado ou ofendido por sua escolha ou necessidade profissional fora das horas de blogagem.


6. Todas as blogueiras terão direito de livre associação em quaisquer grupos, incluindo-se aí grupos com objetivos e programas contraditórios. Entender-se-á a blogagem sobretudo como um direito à coexistência bizarra, insólita e feliz de diferenças na internet. Na blogosfera haverá paz de se retribuir as visitas ao blogs de cada um na devida temporalidade baiana que deve reger as coisas, sem pressa, sem culpa e sem cobrança. Ao visitar o blog alheio o blogueiro também temperará o natural desejo da recíproca com semelhante tranqüilidade.


5. Toda blogueira estará livre de qualquer responsabilidade sobre afirmações feitas por outras pessoas em seu blog. Nenhuma blogueira poderá ser interpelada, processada ou censurada por ofensas ditas por outrem em seu blog. Caso alguma pessoa se sinta ofendida por algum comentário e reclame, a blogueira terá amplo tempo para decidir qual a atitude correta de anfitriã que exercita seus direitos de cidadã numa democracia onde àqueles correspondem, é claro, deveres também.
 4. A todo blogueiro será garantido o direito de promover votações, concursos, citações, retrospectivas, autolinkagem ou reciclagem sem ser acusado de estar ficando sem assunto.

3. Todo blog terá liberdade absoluta de linkar, deslinkar e relinkar como lhe preze, entendendo-se que a linkagem é ato livre, unilateral e jamais significa, por si só, um endosso de conteúdo do site linkado. Todo blogueiro terá paz para ir linkando aqueles que o linkam ou não, na medida em que ele vá viciando-se em blogs.
2. Todo blogueiro terá o direito de exercitar periodicamente o direito de dizer abobrinhas sobre assuntos que não entende, de tal forma que os blogs de futebol serão apoiados quando resolvam falar de música e os blogs de economia contarão com a compreensão geral quando decidam falar sobre a composição do vinho. Mais bobagem que certas revistas semanais blog nenhum conseguirá dizer.
1. Todo blogueiro terá o direito de propor decálogos incompletos – eneálogos, na verdade – e solicitar ser completado, corrigido ou auxiliado pela caixa de comentários. Esqueci de alguma coisa? Sejam bem-vindos.






Idelber Avelar
Professor



Latin American Literatures and Intellectual Histories
Critical Theory, Cultural Studies
(504) 862-3415
 E-mail:
iavelar@tulane.edu
blog: http://www.idelberavelar.com/

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

DEZ FATOS QUE CHOCARAM EM 2010

 Quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Retrospectiva 2010 do mal


 
2010: ano das crueldades  por atacado

O ano de 2010 se encerra com um saldo pesado em notícias que chocaram a população. De tragédias naturais com milhares de vítimas a crimes aterradores, não faltaram casos para preencher as mais sangrentas páginas do noticiário.


Entre as ocorrências mais relevantes, chama a atenção a magnitude do terremoto que atingiu o Haiti – um dos países mais pobres do mundo -  que provocou mais de 220 mil mortes e muito sofrimento  aos que sobreviveram.
 
A morte por atacado também surgiu de forma intencional, como atesta a chacina de 72 imigrantes no México, incluindo quatro brasileiros, brutalizados por narcotraficantes. Assassinos frios, que agem individualmente, também chocam e causam enorme comoção na sociedade. Nesta categoria, também não faltam casos, como os de Eliza Samúdio, ex-namorada do goleiro Bruno, do cartunista Glauco e do filho dele, Raoni.

No Rio, a procuradora aposentada Vera Lúcia de Sant’Anna Gomes foi condenada a oito anos de prisão por torturar uma menina de dois anos, que ela pretendia adotar.

1. Elisa Samudio


O desaparecimento e suposta morte de Eliza Samudio, ex-namorada do goleiro Bruno, do Flamengo, chocou o  Brasil e ganhou repercussão até no exterior. Ela desapareceu no início de junho, sob suspeita de ter sido assassinada a mando do próprio jogador. O caso foi parar na Justiça, que decretou a prisão de Bruno e outros envolvidos, entre eles, a mulher do goleiro e seu melhor amigo, conhecido como Macarrão.
Eliza, de 25 anos, teve um filho com o goleiro e brigava na Justiça pelo reconhecimento da paternidade da criança. Em depoimento à polícia, um primo de Bruno, menor de idade, confessou ter participado do assassinato da ex-namorada. O crime, segundo ele, teria ocorrido em um sítio do jogador, na região metropolitana de Belo Horizonte  (MG).
Entre os detalhes escabrosos revelados pelo adolescente, o corpo de Eliza teria sido esquartejado e partes dele devoradas por cães de guarda, numa estratégia para dificultar a localização do corpo e identificação da vítima.
No dia 30 de junho, a polícia entregou à Justiça de Minas Gerais o relatório final do inquérito. Entre as provas de que Eliza havia sido morta, foi identificado o sangue dela em um dos carros de Bruno. A outra seria a contratação do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, apontado como autor do assassinato e responsável pela ocultação do cadáver.

2. Mineiros soterrados no Chile

Resgate aos 33 mineiros
Em 5 de agosto, um soterramento em uma mina no Chile deixou 33 mineiros presos em uma galeria a 622 metros de profundidade. Por conta das obstruções, as equipes de socorro fizeram estreitas perfurações com sondas para tentar encontrar os trabalhadores.
Apenas 17 dias após o desmoronamento eles foram achados; e deram a declaração “estamos bem no refúgio os 33”, por meio de um bilhete. Eles sobreviveram racionando o que existia no refúgio, comendo duas colheres de atum e meio copo de leite a cada 48 horas.
Três túneis começaram a ser escavados para se chegar até eles. A Nasa (Agência Espacial dos EUA) contribuiu para monitorar a saúde dos homens. A previsão inicial era de que a perfuração levaria até quatro meses. No entanto, em 9 de outubro uma das máquinas concluiu o poço que permitiria o resgate.
O poço teve seu primeiro trecho reforçado com metal e em 12 de outubro os homens começaram a ser içados um a um pela sonda Fênix II, construída especialmente para esta operação.
Em 13 de outubro, após 22 horas e 30 minutos de resgate e 69 dias de isolamento, todos os 33 trabalhadores haviam sido resgatados. Transmitida ao vivo, a operação se transformou no fato mais acompanhado no mundo pela internet, vista por 5,3 milhões de pessoas.

3. Terremoto no Haiti

Desastre destrói a capital Porto Príncipe

Um grande terremoto de magnitude de 7.0 na escala Richter atingiu o Haiti no começo do ano, deixando mais de 220 mil mortos e destruindo quase toda a sua capital, Porto Príncipe. Vários edifícios desabaram, inclusive o palácio presidencial e o prédio da Organização das Nações Unidas (ONU).
A comunicação externa com o país foi prejudicada e a ajuda internacional, com alimentos, remédios, entre outros produtos, além de recursos médicos, não conseguia dar conta da quantidade de feridos e de desabrigados.
Entre os mortos foi encontrada a médica brasileira Zilda Arns, presidente da Pastoral da Criança, que dava palestra em uma igreja atingida pelo terremoto.

O Brasil foi um dos países que colaborou com a ajuda internacional, com o envio de médicos e enfermeiros, entre inúmeros voluntários.
A reconstrução do Haiti país deve demorar cerca de 20 anos, segundo estimativa do governo local e de instituições internacionais.

4. A tragédia em Angra

Deslizamentos atingiram paraísos turísticos
Uma grande catástrofe atingiu cidade de Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro, no início de 2010. Foram vários deslizamentos de terra que afetaram a Praia do Bananal, Ilha Grande e Morro da Carioca, locais considerados paraísos turísticos.
Ao todo, foram registradas cerca de 50 mortes, entre elas a da filha dos donos da Pousada Sankay, Yumi Faraci, de 18 anos, e um casal de amigos dela, que ficaram sob os escombros. Eles eram estudantes de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal de Minas Gerais e passavam férias ali. Os donos, Geraldo e Sonia Faraci, conseguiram escapar.
O trabalho da Defesa Civil foi intenso, com mais de 120 homens, entre  bombeiros, integrantes das polícias Militar, Civil e da Marinha, que auxiliaram nos resgates e nas buscas. Houve também um esquema especial no Instituto Médico Legal (IML) para o recebimento dos corpos e no Pronto Socorro, no atendimento aos feridos.
A comunicação ficou bastante prejudicada, aparelhos celulares não funcionavam, sem contar a dificuldade dos familiares chegarem no local, pelo fato das estradas também terem sido atingidas  pelos deslizamentos de terra.

5. Chacina no México

Massacre deixa 72 mortos
Quatro brasileiros estavam entre os 72 mortos do massacre ocorrido em agosto, emTamaulipas, no norte do México. As outras vítimas eram de El Salvador, Honduras e Equador, segundo o porta voz do Conselho de Segurança mexicano, Alejandro Poire.
Os corpos foram descobertos depois que um sobrevivente do Equador, identificado como Freddy, contou que as vítimas foram sequestradas quando tentavam chegar à fronteira com os Estados Unidos.
Ele disse que os criminosos se identificaram como membros do cartel Zetas, e que o massacre ocorreu porque os imigrantes se recusaram a trabalhar como matadores de aluguel para a organização, para o qual receberiam US$ 1 mil por quinzena.
Essa foi a terceira vez em 2010 que autoridades descobrem valas com dezenas de corpos, vitimas de narcotraficantes. As suspeitas são de que esses mortos iam sendo deixados aos poucos e por um longo período.

6. Promotora é Torturadora

Mulher espancava criança que pretendia adotar
Uma menina de dois anos tornou-se vítima de tortura, praticada pela própria pessoa que tinha sua guarda e que pretendia adotá-la. A autora do crime, a promotora aposentada Vera Lúcia de Sant´Anna Gomes, de 66 anos, foi condenada a oito anos de prisão pela Justiça do Rio de Janeiro.
Empregadas da própria promotora apresentaram a denúncia de maus tratos na  na delegacia de Ipanema, zona sul da cidade. A criança apresentava vários hematomas pelo corpo além dos olhos inchados. Quando questionada sobre quem havia feito aquilo, respondeu: “foi a mamãe”.
Para obter a guarda definitiva da criança, a procuradora passou por um rigoroso processo, que incluiu a participação em reuniões mensais com membros do Conselho Tutelar e profissionais da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso. Ela também foi submetida a avaliação psicológica e  uma pesquisa sobre seus antecedentes, para que ficasse comprovada sua capacidade de adoção.
Vera Lúcia Sant’Anna cumpre pena numa penitenciária da zona Oeste carioca e a criança foi levada para um abrigo não revelado, onde passou a receber assistência psicológica.

7. Mãe mata oito bebês

Francesa escondia corpos no quintal

Uma mulher francesa, de 47 anos, poderá ser condenada à prisão perpétua pelo assassinato de oito bebês. O pai também está sendo acusado pelo crime, por omissão de denúncia e ocultação de cadáver. Todos eram seus filhos. A mulher, uma auxiliar de enfermagem de nome Dominique Cottrez, confessou à polícia que os dois primeiros haviam sido mortos há 10 anos.
Dois corpos foram encontrados no jardim de uma casa que pertencia ao casal criminoso, em Villiers-au-Terre, norte da França.
Quem fez o alerta à polícia francesa foram os novos moradores da casa, após encontrarem ossos de recém-nascidos no jardim. Os outros seis corpos estavam escondidos na residência do casal.
Ambos eram vistos pela vizinhança como pessoas atenciosas, educadas e gentis. Eles também eram pais de duas moças de aproximadamente 20 anos, que também teriam filhos.
O local, onde eles moravam, Villers-au-Tertre, é um povoado tranquilo, com cerca de 650 habitantes, e está localizado a 200 quilômetros ao norte de Paris.

8. Caso Glauco

Cartunista é assassinado junto com o filho

O premiado cartunista Glauco Vilas Boas, de 53 anos, foi assassinado no sítio onde morava, em Osasco, Grande São Paulo. Ele morreu junto com o filho Raoni, de 25 anos, ambos baleados pelo estudante Carlos Ari Sundfeld Nunes, de 24 anos, o Cadu.
O crime ocorreu em março, durante a madrugada. Cadu, que era usuário de drogas e freqüentava a comunidade religiosa do Santo Daime, mantida no local por Glauco, apareceu na madrugada na casa do cartunista e teve uma discussão com ele, que teve como consequência os disparos e a morte de pai e filho.
O estudante fugiu e acabou capturado pela polícia em Foz do Iguaçú, ao tentar fugir do país. Em depoimento, disse que foi ao sítio de Glauco com a intenção de sequestrá-lo para que o cartunista “dissesse a verdade” sobre a reencarnação de um irmão de Cadu. 
O pai do acusado, Carlos Grecchi Nunes, chegou a dizer à polícia que seu filho começou a apresentar comportamento psicótico depois de freqüentar a seita do Santo Daime, comandada por Glauco, e consumir chá alucinógeno, que é utilizado nas cerimônias.

9. Bala perdida atinge garoto

Estudante morre dentro da sala de aula

O confronto entre policiais e bandidos no Rio de Janeiro fez inúmeras vítimas em 2010. Uma delas foi o menino Wesley Guilber de Andrade, de 11 anos,  atingido por uma bala perdida de fuzil, dentro da sala de aula, no CIEP Rubens Gomes, em Costa Barros, subúrbio do Rio.
O fato ocorreu em julho de 2010 e, segundo a perícia feita pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), a bala não saiu da arma dos policiais. O fato gerou revolta entre pais e professores. Dias depois do ocorrido, os familiares do menino anunciaram que deixariam o Rio de Janeiro.
O Sindicato dos Profissionais da Educação do Rio que já havia encaminhado um dossiê ao Ministério Público pedindo segurança naquele CIEP e em outras 150 escolas, anunciou que processaria a prefeitura  por omissão.
No CIEP Rubens Gomes estudam crianças com idade entre oito e 14 anos, que disseram estar habituadas a cenas horripilantes como exposição de cadáver, fuzilamentos e exibição de armas. A maioria mora em regiões próximas ao local onde ocorreu a operação que vitimou o garoto Wesley.

10. Tiroteio no Rio de Janeiro

Traficantes invadem Hotel Intercontinental

Criminosos invadiram o hotel InterContinental, em São Conrado, no Rio de Janeiro, na manhã do dia 21 de agosto, e promoveram troca de tiros com a polícia. A ação provocou uma morte, de uma mulher supostamente envolvida com o tráfico, e quatro policiais ficaram feridos.
Tudo começou, segundo a polícia, depois que um “bonde” de traficantes da Rocinha voltava da favela do Morro do Vidigal. Eles se encontraram com policiais do 23º Batalhão da Política Militar do Rio, que fica no Leblon. Foi quando começou o tiroteio, que durou cerca de dez minutos. Na fuga, dez criminosos entraram no hotel e fizeram 35 reféns. Todos eles acabaram presos.
A ação ocupou toda a manhã daquele sábado. Só de negociação com o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foram quase duas horas. Até a mãe de um dos bandidos foi chamada para convencer o filho a se entregar.
Postagem copiada na íntegra, do site: